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O mundo dá voltas. E os uniformes do Brasil nos Jogos Olímpicos também.

Foto: Divulgação da #Moncler #Oskar #JogosOlimpicos 
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Faz um tempo que me tornei ouvinte assídua do The Business of Life, um programa que indico fortemente. Produzido pelo Brazil Journal, o podcast é liderado por Nilton Bonder, autor de mais de 20 livros, que, com maestria e sensibilidade, entrevista personalidades renomadas do mercado brasileiro.

Enquanto eu dirigia em uma viagem de aproximadamente 2h30 de estrada, um novo episódio começava. Desta vez, a entrevista era com Oskar Metsavaht, personalidade que há tempos eu tinha curiosidade de conhecer melhor. Vocês sabem: a gente dá o famoso follow em perfis de LinkedIn e Instagram, mas só uma boa entrevista revela nossas complexas camadas.

Como ouvinte, viajei na história de Metsavaht. Descobri que ele nasceu em Caxias do Sul, é médico de formação, Embaixador da Boa Vontade da UNESCO para Sustentabilidade e para a Década dos Oceanos (2021–2030). Além disso, sua marca, a Osklen, surgiu de forma despretensiosa, ainda de maneira embrionária, quando ele criou seu próprio uniforme para escalar o Mont Blanc. Com o Brasil fechado às importações nos anos oitenta, vestimentas de alpinismo em um país tropical estavam longe de ser acessíveis.

Como propulsor de uma das primeiras marcas a levantar a bandeira da sustentabilidade de longo prazo no Brasil, o olhar de Oskar supera a preocupação com entrega, qualidade, técnica e estética. Ele constrói um branding do Brasil que mistura refinamento, lifestyle e Brazilian soul, preparando a marca para competir com grandes players da moda internacional.

Falando em espírito universal, meu ponto central neste texto é evidenciar o papel da moda no posicionamento e na imagem de um país em nível global. O que não passou despercebido nas Olimpíadas de Inverno, na Itália, finalizadas há menos de duas semanas, foram as discussões calorosas dos brasileiros comparando as vestimentas dos atletas nas cerimônias dos Jogos de Inverno com a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris 2024. Aqui entra a participação do convidado do podcast.

Quero exaltar a cocriação de Oskar Metsavaht com a marca de luxo italiana Moncler para os atletas durante as cerimônias das Olimpíadas de Inverno. Em um evento desta dimensão, as vestimentas usadas pelos atletas vão além de um mero uniforme: são uma representação, a própria expressão cultural de um país.

Como amante da moda como arte e revolução, e não como tendência e repetição, entendo, por exemplo, que o abandono dos espartilhos ao longo da década de 1920 simbolizou uma revolução social. “Moda é protagonista de mudanças no comportamento da sociedade, tal qual o cinema, as artes plásticas e a literatura”, cita o fundador da Osklen.

Criatividade é uma esfera desafiadora, e é por isso que tantos tendem a copiar e não a criar. Como brasileiros, temos muito a oferecer ao mundo. Nossa capacidade imagética e curiosa, nosso olhar significativo, passam por qualidades escassas no contexto internacional: autenticidade, conexão com a natureza, abertura para o novo.

Depois da frustrada representação que tivemos em 2024 na cerimônia de abertura na França, no tocante aos uniformes oficiais do Time Brasil, meus olhos brilharam ao ver a preparação e a entrega no desfile dos nossos atletas nos Jogos de Inverno. Eu sou fã de gente que engrandece a gente.

Segundo o Estadão, “o Brasil alcançou a 19ª colocação no quadro geral de medalhas das Olimpíadas de Inverno Milão-Cortina 2026. O resultado marca a primeira vez que o país figura na lista de premiados em uma edição dos Jogos de Inverno”. Para um país tropical, precisamos comemorar nossa performance de destaque na neve, assim como o privilégio de contar com a inteligência e o talento de estilistas que nos elevam a um novo patamar em imagem e representação.

Em frente às próximas conquistas.

Autora: Priscila Sodré